A multiplicidade das necessidades humanas; Especialização em uma economia com o mercado reduzido e uma economia com o mercado pujante; o Patrimônio; Consequências do sistema do mercado no progresso tecnológico e na eficiência dos processos.
§6. Patrimônio: Menger continua: "... a maneira como os homens satisfazem à multiplicidade de suas necessidades apresenta, em seu conjunto, uma variedade praticamente ilimitada". Isso significa, que, para a satisfação de uma necessidade através de um bem de ordem primária, dispondo dos bens de ordem superior e os bens complementares subjacentes, a possibilidade de nexos causais a serem estabelecidos são praticamente ilimitados, apenas determinado pela cognição e a capacidade dos agentes de estabelecerem nexos causais entre os diferentes bens de ordem superior.
Então, ele continua: "entretanto, é indispensável certa harmonia na satisfação das necessidades para a manutenção da vida humana e seu bem-estar". Aqui, Menger estabelece que, visando a maximização da alocação de recursos e a sua máxima eficiência, que se traduz na maior satisfação resultada, os agentes precisam atuar com harmonia, compreendendo e equilibrando os bens de ordem superior que possuem com o grau de importância do bem de primeira ordem a ser alcançado e a sua satisfação inerente. Essa alocação eficiente de recursos, para Menger, é balizada a partir de alocações subjetivas, como vamos ver adiante.
Menger então estabelece que, a vida humana e a satisfação de nossas necessidades, nunca dependerá da satisfação de UMA necessidade apenas, já que a condição humana é margeada de uma miríade imensa de necessidades e desejos de diversas sortes, mas sim de uma satisfação abrangente. Essa satisfação geral, que é necessária para a manutenção da vida humana, depende de uma conjugação de diversos bens de ordens diferentes.
Em casos onde o intercâmbio entre indivíduos é reduzido, em uma economia isolada, é evidente que o patrimônio de um indivíduo possuirá diversos bens de ordens distintas, capazes de satisfazer as necessidades deste indivíduo e de seu grupo por uma quantidade limitada de tempo. A quantidade de bens de ordem superior e o nexo causal que ele estipula destes bens com os seus bens de necessidade imediata (bens de ordem primária) é, de forma não absoluta, o nível de interdependência de fatores aleatórios para a sua sobrevivência, como já debatemos na seção anterior.
Agora, em condições de intercâmbio como temos nos dias atuais, e em culturas que Menger chama como "mais avançadas", ou seja, que atingiram um progresso técnico e tecnológico mais apurado (através do estabelecimento de nexos causais entre bens de ordem superior e divisão do trabalho), a posse de qualquer bem econômico desejado por pelo menos algum agente de mercado (comprador), garante a subsistência do indivíduo através do seu acesso à todos os outros bens.
Esse é o pressuposto mais básico em uma economia de mercado, e como as trocas voluntárias permitem que um indivíduo se especialize na produção de apenas um bem ou serviço específico, e com ele consiga angariar, de forma harmoniosa, a satisfação de todas as suas outras necessidades.
Portanto, nessa seção, vimos que as necessidades humanas não são um fenômeno isolado, e que, para a sobrevivência da espécie, é necessária a consecução da satisfação de um conjunto de necessidades, que só serão satisfeitos a partir de vários bens de primeira ordem.
Nesse sentido, o patrimônio de um indivíduo, em situações onde o mercado de trocas voluntárias não é pujante, é composto por diversos bens, de muitas ordens e tipos, além de seus bens complementares.
Com a presença de um mercado de trocas voluntárias, o patrimônio dos indivíduos passa a ser cada vez menor, uma vez que ele decresce quantitativamente e cresce qualitativamente. A quantidade de bens que ele utilizaria para sobreviver, agora que ele poderá trocar com mais facilidade, ele acumulará em dinheiro (que nada mais é que um representativo de bens e serviços na cadeia de produção em uma economia interligada), ou seja, como os indivíduos, em uma economia de mercado contam que outros indivíduos esteja produzindo os bens que eles necessitam, eles não precisam produzir por eles mesmos.
Com isso, essa situação de especialização dos indivíduos em atividades específicas, que variam de acordo com as necessidades/predileções/escolhas individuais, geram cada vez mais produtividade, uma vez que esses indivíduos, agora especializados em suas atividades de escolha, aprimoram os seus processos através de técnicas cada vez mais rebuscadas, utilizam cada vez mais bens de ordens superiores (já que seu patrimônio agora é voltado quase que exclusivamente para a sua atividade fim e que o seu tempo está quase que exclusivamente voltado para o melhoramento dos métodos de produção e aprimoramento dos seus bens e estabelecimento dos nexos causais subsequentes).
O ganho de produtividade decorrido da divisão do trabalho e estabelecimento quantitativo e qualitativo de nexos causais entre bens de ordem superior só poderia ter ocorrido com a especialização dos indivíduos através do sistema de mercado.
Portanto, não é exagero dizer que o progresso tecnológico é fruto da especialização dos indivíduos em atividades específicas, uma vez que o sistema de mercado garante todas as suas outras necessidades pelo intercâmbio de sua parcela na cadeia de produtividade, sinalizada através do dinheiro, e permite que um indivíduo específico aprimore cada vez mais os processos de sua atividade-fim.
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