PPI de setembro na Europa (07/11/2023)
O PPI, ou Índice de Preços ao Produtor, é um indicador econômico que mede as variações nos preços dos bens e serviços vendidos pelos produtores, geralmente antes de chegarem aos consumidores finais. É usado para avaliar as pressões inflacionárias na fase de produção da economia. Avaliar a inflação na ponta do produtor é tão importante quanto avaliar na ponta do consumidor. A avaliação da inflação na ponta do produtor é importante pois variações nos preços de bens e serviços nessa fase da produção podem afetar os custos de produção e, eventualmente, se refletir nos preços ao consumidor. Qualquer choque no mercado de bens primários, insumos ou qualquer tipo de produto intermediário poderá ser observado olhando atentamente para o PPI. Isso pode influenciar a inflação geral, o desempenho econômico e as decisões de política monetária, uma vez que toda a economia é interconectada. Além disso, podemos enxergar a capacidade e resiliência de determinados mercados, avaliando características interessantes, como o nível de resistência do repasse da inflação ao consumidor, os "spillovers" na cadeia de suprimento, os choques e subterfúgios utilizados pelas empresas, fusões e aquisições de setores estratégicos, etc. Portanto, monitorar a inflação na ponta do produtor ajuda a entender as pressões inflacionárias na economia como um todo.
Na Europa, o Índice PPI, na base de comparação mensal, avançou 0,5% em outubro, desacelerando ligeiramente da medição em setembro, que foi de 0,7%. Anualmente, o PPI acumula uma queda de 12,4%. A queda da base anual se deve, principalmente pelos choques e, consequentemente, aumento abissal de preços no último ano, devido à interrupções na cadeia de suprimento global, interrompendo, por meio de sanções e barreiras comerciais o fornecimento de petróleo, gás e alimentos. Esses choques de oferta elevaram os preços nos mercados globais, seja por meio de uma interrupção material na cadeia ou por especulação, os preços de commodities-chave para o funcionamento, principalmente da economia europeia subiram vertiginosamente. A situação de choque na oferta de commodities importantes aumentaram o preço para o produtor, que, sem escolha teve de repassar para o consumidor. Além disso, as políticas monetárias acomodatícias aumentaram os meios circulantes na economia europeia, em um primeiro momento, a atividade voltou a crescer (como vimos em 2021), mas quando esses meios circulantes foram massivamente incorporados na economia, em sua maior parte, após a reabertura das economias, a demanda agregada e os meios circulantes superaram os bens reais da economia, e somado aos preços das commodities, a inflação cresceu em níveis alarmantes. Atualmente, como venho falando por aqui, o ECB (European Central Bank) apertou sua política monetária para controlar a inflação. Os preços do petróleo, após a invasão de Israel, voltaram a subir, mas logo em seguida, alcançada a resistência, voltaram a cair, e hoje se encontra em níveis "satisfatórios", pois com os dados fracos de atividade pelo mundo, a tendência da maioria das commodities é cair (quando não há interferência na cadeia de suprimento global).
O PPI indicou que na Europa, os preços dos produtos industrializados subiram 2,2%, mostrando finalmente uma recuperação, pois durante todo o período da reabertura, os produtos industrializados e a indústria de manufatura como um todo foi bastante afetada. Talvez esse aumento marginal mostre que chegamos em um "fundo", pois com a diminuição da oferta e o ajuste de preços para atrair compradores parece ter se equalizado com a oferta no mercado. Os bens de capital e bens duráveis permaneceram estáveis na leitura do PPI. Os preços bens de consumo e intermediários caíram cerca de 0,2%, indicando uma fraqueza no consumo das famílias.
No setor de energia, em uma comparação anual, os preços diminuíram 31,3%, puxado principalmente pelo preço do barril de petróleo. Outro destaque na comparação anual foi o aumento nos preços dos bens de capital (3,9%) e bens duráveis (4,3%), que pode indicar um acúmulo de bens essenciais para o aumento de produção em um ciclo econômico futuro, próximo ou não, mas principalmente a compra de maquinários e afins, uma vez que a procura por bens de capital estavam diminutas todo o ano.
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