PMI Setor de Serviços Caixin da China (03/11/2023)
O PMI (Purchasing Managers' Index) é um indicador econômico amplamente utilizado para avaliar a saúde do setor de serviços em várias economias ao redor do mundo. No contexto da economia chinesa, o PMI do setor de serviços Caixin desempenha um papel crucial ao fornecer informações valiosas sobre a atividade econômica e as tendências de negócios no setor de serviços do país. Este indicador é baseado em pesquisas realizadas junto a gerentes de compras em empresas de serviços na China e oferece uma visão abrangente do desempenho deste setor fundamental. O Índice Caixin PMI de serviços acumulou 50,4 em outubro, um aumento de 0,2 comparativamente com setembro.
A partir da leitura completa do relatório, podemos tirar as seguintes conclusões sobre a atual condição do setor de serviços da economia chinesa:
1) A atividade econômica do setor de serviços chinês continuou a crescer marginalmente em outubro, porém de forma moderada. Essa atividade econômica, ainda que fraca, adveio de esforços que o Bank of China vês perpetrando com o fim de estimular a demanda interna, que se encontra reprimida desde a reabertura.
Com a economia estagnada e a atividade lenta, alguns consideram que a China já entrou em um evento econômico descrito por Irving Fischer como "Armadilha da Deflação" ou "Debt Deflation Trap", que ocorre quando uma economia entra em um ciclo vicioso de deflação de preços e aumento da dívida.
Nesse cenário, a queda contínua dos preços leva a um aumento real do valor da dívida, uma vez que o valor nominal da moeda cresce, pois os bens e serviços se tornam mais baratos pela anomia por parte da demanda agregada frente ao estímulo perpetrado, tornando mais difícil para os devedores pagarem o que devem (a maioria dos contratos possuem cláusulas que protegem o valor de eventos inflacionários, utilizando taxas de índices para "compensar" a inflação em determinado período, uma vez que protegem quem emprestou o dinheiro, mas quando ocorre uma deflação, geralmente, os contratos não possuem cláusulas que protejam o devedor de possíveis deflações). Isso pode levar a mais inadimplência e pressionar ainda mais os preços para baixo, criando um ciclo autossustentável de queda nos preços e aumento da dívida, o que é prejudicial para a economia.
Geralmente, esse fenômeno ocorre quando um país está alavancado, pressiona a demanda com estímulos e a oferta com subsídios, mas a demanda não responde o estímulo inicial, materializando um verdadeiro ciclo de dívida, deflação e inadimplência.
2) Houve uma diminuição nos novos pedidos, com as empresas de serviços não vislumbrando um aumento expressivo da demanda no curto prazo, apesar da demanda interna ter respondido alguns estímulos, principalmente no mercado creditício e no mercado de renda variável. O financiamento social também cresceu, juntamente com o investimento em serviços públicos para suprir a falta de estrangeiros querendo empreender negócios na China. Porém, a exportações de serviços para clientes externos está com uma demanda muito fraca, com os empresários preferindo reduzir as suas compras e enxugar os custos do que fazerem um movimento maior com seus estoques e compras no momento.
3) Mesmo com a previsão fraca de demanda futura, as empresas chinesas, no geral, não estão perpetrando um movimento de demissão em massa, mas estão preferindo reduzir a sua capacidade produtiva no médio prazo. Mas apesar do movimento de manutenção dos empregos, não estão contratando novos funcionários no momento.
4) Apesar de tudo, um setor que tem se destacado no setor de serviços chinês são as empresas de turismo, que, seguindo o mesmo paradigma global, estão sendo temporalmente beneficiadas pelos consumidores, que, depois de muito tempo, em 2022 e 2023 estão voltando a viajar.
5) As pressões de custos dos insumos pelo lado do produtor caíram. Porém, as empresas de serviços chinesas não estão repassando essa diminuição de preços ao consumidor final, sinalizando que precisam se recuperar de obrigações contraídas durante a obstrução da demanda perpetrada pelo Partido Comunista Chinês durante o ano de 2022.
6) Em suma, enquanto isso, o BoC irá continuar tentando estimular a demanda interna, sem muito sucesso, mas dando uma sobrevida com os lucros marginais realizados pelos prestadores de serviços, na medida que a China tentando ter um aumento de PIB como detinha antes da pandemia. O BoC previa, antes da reabertura, um crescimento de 5% do PIB só em 2023, mas esse numerário não foi alcançado e teve que ser revisado algumas vezes.
A crise imobiliária ainda é um grande problema que terá de se resolver, e muito se debate ainda sobre o tamanho do "rombo" causado pelos péssimos investimentos das empresas Evergrande e Contry Garden, que, a partir de subsídios e incentivos do governo chinês, criaram verdadeiras "cidades fantasma" pelo país.
A demanda mundial fraca ainda é um grande problema para os empresários que buscam mercados para investir, principalmente com a Europa passando pelo problema da estagflação. Uma saída para os chineses, é o investimento em países em desenvolvimento na África e na Ásia, como a Nigéria e o Vietnã, mas esses investimentos são de altíssimo risco, e ainda são reféns do risco geopolítico, que são demasiadamente grandes nesses países.
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