Instrumentos de Política Monetária do BoK - Parte 3: Reserve System (25/11/2023)

 Para finalizar a série de postagens sobre as ferramentas de política monetária disponíveis para o uso do Bank of Korea, vamos falar um pouco sobre os Sistemas de Reserva, ou, Reserve Requirement System (RRS).

Legalmente, as instituições financeiras deverão manter uma certa proporção de seus passivos (passivos bancários, uma vez que são depósitos de clientes e que deverão estar de prontidão para cobrir os eventuais saques) sujeitos a requisitos de reservas em suas contas junto ao BoK. 

Essa taxa compulsória funciona de forma a limitar o recurso que os bancos tem de "emprestar dinheiro que não possuem". O sistema fiduciário de moeda, que não possui nenhum lastro como contrapartida por seu valor, permite aos bancos utilizarem de seus passivos (contando que seus clientes não sacarão a quantia depositada toda de uma vez) para angariarem novos créditos no mercado, alavancando a atividade bancária através de capital que não existe objetivamente. Caso o banco necessite de liquidez, ele poderá utilizar das salvaguardas que vimos anteriormente, como operações envolvendo títulos junto ao banco central (recompra ou QE) ou envergando empréstimos com o BoK (todos os tipos de empréstimos, colateralizados ou não que vimos na última postagem). 

Esse sistema é chamado de "reservas fracionárias", e vigora desde que os primeiros bancos foram criados. O sistema monetário não metálico, utilizando cédulas de papel, inicialmente nasceu a partir de bancos que distribuíam títulos equivalentes à quantidade de dinheiro depositada de seus clientes (e como era mais seguro e prático carregar "notas promissórias" do que dinheiro metálico, o comércio começou a adotar esse sistema). A partir da observação por parte dos bancos que, a maioria dos clientes não realizam essas notas promissórias, eles passaram a emprestar esse "novo dinheiro" para clientes que necessitavam de financiamento, com base em seus depósitos que já tinham. E assim nasceu a atividade bancária como conhecemos hoje e todos os seus riscos inerentes. A diferença é que hoje em dia, a moeda não é lastreada em ativos reais, e a base monetária poderá expandir-se ao bel prazer de quem a controla, mesmo sob o risco frequente de inflação e miséria.

Para controlar os riscos de uma expansão monetária por parte das instituições financeiras sob o regime das reservas fracionárias, os bancos centrais geralmente definem uma taxa de "depósito compulsório", e, a partir desse pressuposto, controla a expansão monetária nessa vereda econômica. As alterações nas reservas compulsórias afetam a capacidade da s instituições financeiras de fornecer empréstimos e comprar títulos, gerando uma alteração na demanda agregada e um aumento subjacente da inflação. Portanto, em momentos de contração da política monetária, o BoK procura manter a taxa de depósito compulsório elevada, de forma a suprimir essa expansão monetária decorrente da atividade bancária. Quando o BoK quer estimular a economia, ele diminui as taxas, provocando um aumento na capacidade dessas instituições performar suas operações, aumentando a atividade, base monetária, e, a depender das variáveis econômicas, a inflação.

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