Atualização sobre a política monetária do BoJ (09/11/2023)
Atualização sobre as políticas monetárias perpetradas pelo Bank of Japan:
1) Opinião sobre o desenvolvimento das atividades econômicas:
1.1) A economia japonesa, apesar do cenário externo, se mantém em níveis historicamente aquecidos, com a atividade recuando 1% em setembro, mostrando uma possível estagnação da demanda interna, causando possíveis temores sobre a sustentação de uma demanda interna pujante futura.
1.2) A diminuição da atividade mostra uma resistência no consumo, tornando-o mais defensivo e retraído, com empresas reavaliando o sentimento parcialmente otimista anterior. O aumento na inflação, causado pelas condições tanto endógenas, quanto exógenas, só demonstram a complexidade do cenário, com um câmbio fraco e juros longos levemente mais altos. O BoJ, espera reestimular a demanda interna, perpetrando alguns movimentos de forma a expandir a demanda agregada, principalmente por meio de operações que permitam injetar liquidez nas instituições financeiras, que semanalmente realizam operações de empréstimos colateralizados com o banco central, sem contar as operações de recompra e de compra de ativos, como REITS e ETFs.
1.3) Agora, o BoJ se vê com uma tarefa difícil: estimular a demanda agregada e a atividade empresarial sem causar "bolhas" no sistema financeiro, levar a inflação para a meta de 2%, realizar suas operações rotineiras de compras de ativos, manter a estabilidade da Curva de Rendimentos (Yield Curve Control) com os JGBs de 10 anos perto de 0,5% e proporcionar condições para que os trabalhadores ganhem um aumento de salário ainda nesse ano fiscal. É realmente uma "tarefa hercúlea", quase impossível de ser realizada em sua integralidade.
1.4) Para o BoJ conseguir realizar essa tarefa, que tem como base o aumento dos salários dos empregados do setor privado, ele necessita que as empresas aumentem o seu poder aquisitivo, e para isso, o banco necessita criar condições favoráveis de financiamentos e preços. Além disso, estimulando o crédito ele também criará pressão ascendente na demanda agregada, que auxiliará a empresa a ter resultados melhores, só que para isso, para conseguir realizar isso, precisará ampliar suas medidas acomodatícias e expansionistas, que pressionariam tanto a inflação (que já é historicamente elevada) e o câmbio.
1.5) A inflação, que vêm sendo revisada para cima desde abril, se espalhou mais rápido nas empresas e fora repassada com mais pujança para o consumidor do que o esperado pelo BoJ. Isso pode levar a algumas conclusões sobre o mercado japonês e como ele se comporta:
1.5.1) A demanda no mercado japonês pode ser considerada inelástica, ou seja, os consumidores continuam comprando determinado bem/serviço independentemente do preço estabelecido. No Japão, onde os custos de financiamento são diminutos, essa pode ser uma interpretação provável.1.5.2) Barreiras monopolísticas podem dar as empresas mais possibilidades de repassar os custos para os clientes. O sistema de "keiretsu" no Japão, que são redes de empresas interconectadas, pode influenciar a competição em alguns setores. Empresas dentro de um keiretsu podem ter relações comerciais preferenciais, o que pode impactar a entrada de novos concorrentes.
1.5.3) As empresas podem estar antecipando uma inflação futura e garantindo uma "gordura" enquanto a demanda ainda está relativamente aquecida. Se os consumidores e empresas esperam que os preços aumentem no futuro, isso pode levar a um comportamento de antecipação, onde as empresas aumentam os preços mais rapidamente para evitar perder margens de lucro devido à inflação.
1.6) O BoJ espera acompanhar de perto as negociações salariais para o próximo ano fiscal, de modo a corroborar com o "ciclo virtuoso" de aumento de preços concomitantemente com o de salários, de forma a corroborar para uma estabilidade relativa dos preços.
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